quinta-feira, 6 de agosto de 2009

EPÍLOGOS DE JÚBILO DE ALMA WELT

Os inúmeros ciclos de sonetos de Alma Welt terminam sempre com uma volta para a Alegria, verdadeira Rejubilação. Apesar de ciclotímica, a Guria do Pampa procurava a Felicidade, amava a Vida e o Amor. Os seus ciclos de sonetos são conjuntos que lidos na seqüência correta contam pequenas estórias acontecidas com ela, ou percursos interiores, jornadas de uma Alma apaixonada que se entregava intensamente e que freqüentemente "quebrava a cara", como hoje se diz. É comovente acompanhá-los e constatar que terminam sempre com esse movimento de recuperação, essa forte vontade de Alegria. (Lucia Welt)



Epílogos de Júbilo de Alma Welt)


Alegria (de Alma Welt, dos Sonetos Eróticos da Alma)

13

Voltou o meu amor, voltou, pasmem vocês!
E com ele a alegria, montanhas de CDs
Eu nua pela casa, o sexo molhado,
Ele de roupão, e o circo bem armado.

Ó dias de euforia, ó noites de paixão!
Como dizer, como contar, ó meus leitores?
Orgasmos barulhentos, vivos estertores,
Penetrações vibrantes, riso e lassidão.

Tenho as ancas vivas, o lábio entumecido
Os bicos dos meus seios apontam, retesados,
Meu ânus latejando, um tanto intrometido...

Quero cantar, gritar, o amor tinha partido,
Voltou e me deseja, estamos renovados,
Eros, Psiqué... enfim reconciliados!!




Epílogo (dos Novos sonetos Eróticos da Alma)


10
O meu amado, afinal, foi recolher-se
Pra “dar um tempo” e restabelecer-se,
Deixou-me exausta, voltou e mais me quis
Largando-me prostrada e... feliz.

Assim é o Amor, eterna dança
Que faz seu criador, uma criança
Que não se cansa nunca de brincar,
Podendo esta Alma alegre machucar.

A imensa alegria destas dádivas
De amor e de prazer, das loucas horas
Que mesmo estando em fuga, sempre ávidas,

Enquanto somos jovens, ah! brindemos!
Todos juntos, de mãos dadas, sem demoras,
Saudemos nossa vida. Pois, cantemos!


Epílogo (dos Sonetos Amorosos da Alma, de Alma Welt)

10
Em ciranda, rodando numa pista
Nestes sonetos comando a encenação.
Sou diretora, atriz e roteirista
E compus também o tema da canção.

Cantando todos juntos de mãos dadas
Na apoteose, o estribilho e o refrão
Que louva só o amor. E as trapalhadas,
Que cômicas e ternas elas são!...

Neste musical, ó Alma, falas
De um novo prisma, foco e entonação
Que tudo vês, até o que tu calas...

Enquanto a platéia se comove
Cai o pano, lentamente ele se move
Vindo de cima... enquanto cantas, coração!

2002



Epílogo (dos Sonetos Luxuriosos da Alma II)

11
Meus leitores, depois desta visão
Creio que fui longe demais
Na fantasia, causando confusão
Talvez, e misturando os canais.

Cultivando minha luxúria extrapolei
Ou atingi de Eros a verdade.
Na dor e humilhação experimentei
O verdadeiro erotismo e santidade.

Sim, porquê sei e aposto até
Que um real prazer ofereci
Ao contar tudo quanto padeci

E jamais saberão (eu tenho fé)
Se aquilo que contei-lhes sem querer,
Foi o fim ou o começo do prazer...



A Volta ( de Novos sonetos da Alma – A Viagem)

12
Estou de volta, a mim e à minha arte
Celebrando a alegria no ateliê.
Rolei um pouco por aí, em qualquer parte,
Amei e dei bastante, já se vê...

O que importa é amar e até sofrer
Mas ser inteira, feliz e sempre atenta,
Interessada em tudo, e no viver
A vida sob o sol, que se contenta

Em ser, e tudo ser em sendo ímpar,
Viver a vida, o gozo e mesmo a dor
Sem renegar jamais o dom de amar

E mesmo envelhecer, louvando o Amor
Que nos permite imitá-lo, à vontade,
Pois reserva pra si a eternidade.




Epílogo (de Sonetos da Angústia, de Alma Welt)

13.
Volto ao Jardim de arranha-céu
Onde montei meu ateliê
E onde em telas ou painel
Plantei pequeno mundo, que se vê.

Como Aline, no dia em que chegou
Eu giro e olho em torno meu cenário
E percebo como o mundo meu é vário,
E como me bastar sendo o que sou.

Assim, comigo vou reconciliar
A mim mesma, fazendo minha parte
Com Deus, que me deu beleza e arte.

E entrego meu destino, apaziguada,
Sabendo que estarei mais elevada
Quando de novo o interfone ressoar...


Epílogo ( dos sonetos da Pintora II, de Alma Welt)


(10)

Quero pintar, perder-me, poetar,
Amar, ser amada e possuída
Pois que tudo quero desejar,
E desejada, ser a própria vida.

Confundindo-me com aquilo que desejo
Entregar-me assim nua e sem pejo,
Atingida pelo amor em pleno cerne
Através do sexo e da epiderme

Ser a musa de um poeta, gloriosa,
(que jamais me entregaria a um burguês)
Ser então cantada em verso e prosa

Depois, quando o Tempo adverso
Atingir-me como a todos sempre fez,
Feliz poder mirar-me no meu verso.

10/10/2007



Epílogo (dos Sonetos Luxuriosos da Alma, de Alma Welt)

10
Levantei-me esta manhã e eis-me curada!
Posso passear sem ser notada
Senão como aquela bela Alma
Que parece ser feliz e muito calma.

O mundo saberá meu desvario
Apenas nestas “mal traçadas linhas”
Num futuro risonho e menos frio
Onde as mulheres não serão tão comezinhas

E então apaziguando meus furores
Vou procurar conter-me (não gargalhem)
Para deixar “as partes” descansarem


Embora minha prudência seja pouca.
Aguardem-me, pois, meus bons leitores
Que em breve voltarei ainda mais louca.

2005

Epílogo (dos Sonetos da Infância da Alma, de Alma Welt)

10
Ah! amado Pampa, meu destino!
Nestas pradarias morrerei
Depois do toque, ao longe, do meu sino
Aquele que, na certa escutarei

Naquela derradeira cavalgada
Pelo mar das coxilhas navegando,
O cabelo ao vento, em disparada,
A mão de Rôdo no meu seio palpitando.

O Vati, Aline, eu e a infância
De Hans e Christian, Patrícia e Pedrinho
Correndo juntos, comigo, no caminho...

E a herança da safra em vinho tinto
Transfigurando em Éden, que pressinto
A beleza final da minha estância!

20/06/2006


Epílogo (de As Quatro Estações, de Alma Welt)
14

Acordo feliz neste meu leito
Com cheiro de lavanda ou velva, eu acho,
Da pele de um homem enfim eleito,
Que reconciliou-me com o macho.

Não entrarei em detalhes por agora,
Só adiantando, incorrigível, a alegria
Em que desperto, repleta, como a aurora
Que já nasce em plenitude sobre o dia.

O amor é uma criança e com candura,
Me quer assim, também meio naïve
Como em festa de primeira formatura...

Assim, eu comemoro o amor que tive,
Compartilhando com vocês, ó meus leitores,
A ciranda geral dos meus amores!


Epílogo (dos Sonetos da Alma, de Alma Welt)

21

Vida, Amor, amores, Arte e alegrias
Graças demais pr’um simples ser mortal
Humor, humores, gozo, enlevo sensual
Eros, Psiquê e suas maravilhas!

E há quem erga a sua voz blasfema
Contra a Vida e seu amor, e quer conter-ma!
Há quem faça dela uma vigília enferma
Aos dons da própria Vida, e a ela tema.

Mas não penso neles, não agora:
Eu vi o Hades, renasci faz uma hora,
Não renego da minha vida um só minuto.

Amei, tudo apostei, perdi, pus-me de luto
(que em mim morri), voltei, torno a postar
Nesta roleta russa que é amar!

FIM